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Células-tronco purificadas restauram músculos de camundongos com distrofia muscular

Pesquisadores demonstraram que com injeções de células-tronco adultas de músculo esquelético, foi possível restaurar músculos saudáveis e melhorar a função muscular de camundongos portadores de uma forma de distrofia muscular. As células-tronco formadoras de músculos foram derivadas de um grupo maior de células-tronco (as células-satélite) que normalmente se associam com as fibras musculares maduras e participam no crescimento e reparo dos músculos.

Além de contribuírem com os músculos maduros, as células injetadas também repopularam a reserva de células regenerativas encontradas normalmente nos músculos. Essas células-tronco permitiram também que os músculos tratados conseguissem passar por novos ciclos lesão-restauração.

"Nosso trabalho demonstra o conceito de que células-tronco purificadas podem ser usadas em terapias", disse a Dra. Amy Wagers da Harvard University, lembrando ainda que em alguns casos as células-tronco substituíram mais de 90% das fibras musculares. Tal avanço necessitaria isolar células-tronco equivalentes às dos camundongos, mas de músculos humanos, algo em que a equipe da Dra. Wagers está trabalhando agora.

As células-satélite foram primeiramente descritas décadas atrás e sempre foram consideradas um grupo homogêneo, disse a Dra. Wagers. Embora pareçam anatomicamente iguais sob o microscópio, elas apresentam diferenças consideráveis em sua fisiologia e função. Em um estudo anterior a Dra. Wagers identificou um conjunto de sete marcadores que identificam o grupo específico de células-satélite responsáveis por formar músculos, as quais foram denominadas células precursoras de músculo esquelético (PME).

No novo estudo, os pesquisadores analisaram as células-tronco e as propriedades regenerativas das PME. Quando inseridas em músculos de camundongos que não produzem distrofina, as PME purificadas contribuíram em até 94% das fibras musculares, restaurando a expressão de distrofina e melhorando significativamente a estrutura dos músculos e a função contrátil. O gene da distrofina codifica uma proteína (a distrofina) importante para a integridade muscular. Camundongos que não produzem a distrofina, conhecidos como camundongos mdx, são utilizados como modelo animal para a Distrofia Muscular de Duchenne, a forma mais comum da doença.

"Um fato importante é que a alta capacidade de inserção das PME transplantadas em animais mdx demonstram seu valor terapêutico, restaurando a expressão da distrofina, melhorando a histologia do músculo, e recuperando sua função fisiológica", disse a pesquisadora. "Além disso, somado ao fato de gerar fibras musculares maduras, as células PME transplantadas também repopulam a reserva de células-satélite, que são mantidas ali para serem recrutadas em futuras restaurações musculares".

"Consideradas em seu todo, essas informações indicam que as células PME agem como células-tronco de músculo esquelético implantáveis e renováveis. O grau de reconstituição de fibra muscular alcançado por essas células-tronco musculares ultrapassa o registrado em todas as outras populações de células-tronco miogênicas, e permitem obter uma incrível melhora na função de contração muscular. Os dados obtidos fornecem, portanto, uma evidência direta de que linhagens específicas de células-tronco musculares fornecem uma fonte robusta de células para substituição muscular e são uma opção terapêutica viável para o tratamento de doenças musculares degenerativas".

Todavia a Dra. Wagers observou que poderão haver complicações com relação à forma de levar as células-tronco para o interior do organismo, particularmente em doenças que afetem todos os músculos esqueléticos do organismo. Mesmo assim as novas descobertas representam uma oportunidade para compreender o que ocorre com estas células regenerativas em doenças, e "identificar fatores e caminhos que possam aumentar sua atividade", disse a Dra. Wagers. "Poderemos compreender o funcionamento de drogas com o objetivo de combater doenças musculares, não apenas as distrofias, mas também que atingem pessoas idosas que sofrem com a perda muscular advinda do envelhecimento.

A equipe de pesquisadores é composta por: Massimiliano Cerletti, Joslin Diabetes Center, Boston, MA, Harvard University, and Harvard Stem Cell Institute, Cambridge, MA; Sara Jurga, Joslin Diabetes Center, Boston, MA, Harvard University, and Harvard Stem Cell Institute, Cambridge, MA; Carol A. Witczak, Joslin Diabetes Center, Boston, MA; Michael F. Hirshman, Joslin Diabetes Center, Boston, MA; Jennifer L. Shadrach, Joslin Diabetes Center, Boston, MA, Harvard University, and Harvard Stem Cell Institute, Cambridge, MA; Laurie J. Goodyear, Joslin Diabetes Center, Boston, MA; and Amy J. Wagers, Joslin Diabetes Center, Boston, MA, Harvard University, and Harvard Stem Cell Institute, Cambridge, MA.

 

Fonte: http://www.eurekalert.org/pub_releases/2008-07/cp-psc070708.php