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Estudo sobre distrofia de Duchenne - Por Mayana Zatz

Leitor pergunta: Recentemente li sobre laminina, gostaria de saber se há casos de tratamento com a proteína, e quais os resultados?
(Daniela)

A laminina está na moda. Artigos recentes publicaram que a laminina-511 (uma outra forma de laminina) pode representar um novo remédio contra calvície. Como não é da minha área, e já foram anunciados muitos outros tratamentos capazes de regenerar cabelos, confesso que não dei muita bola. Mas agora um grupo de pesquisadores da Universidade de Nevada, nos Estados Unidos, liderados pelo doutor Dean Burkin, acaba de publicar um trabalho na revista PNAS sobre o uso de uma forma alternativa da laminina, a laminina-111 para tratamento de distrofias musculares. São resultados preliminares de pesquisas realizadas em um grupo especial de camundongos (os mdx), mas que, de acordo com os autores, poderiam levar a futuros tratamentos para a distrofia de Duchenne (DMD) e outras formas de distrofias semelhantes.

O que é a distrofia de Duchenne (DMD)?

A DMD é uma doença genética que afeta 1 em cada 3.000 nascimentos masculinos. Esses meninos nascem com um defeito em um gene que causa a deficiência de uma proteína, a distrofina - essencial para o músculo. Sem essa proteína o músculo degenera. Os afetados vão perdendo progressivamente a capacidade para andar ao redor dos 10-12 anos de idade e aos poucos tornam-se totalmente dependentes para todas as atividades. Procurar uma cura para essas distrofias tem sido o objeto de pesquisas de vários cientistas ao redor do mundo - entre os quais me incluo.

Os camundongos mdx são o modelo murino para a DMD

Os camundongos mdx, como os meninos com DMD, têm deficiência da proteína distrofina no músculo. Portanto são um excelente modelo para se estudar o efeito de drogas ou estratégias com o objetivo de corrigir esse defeito genético. Surpreendentemente esses camundongos, ao contrário dos humanos, não apresentam uma fraqueza muscular visível. Eles só se diferenciam dos animais com distrofina normal quando submetidos a exercícios de stress. Portanto, qualquer avaliação de melhora clínica nesse modelo animal deve ser interpretada com muito cuidado.

A deficiência de distrofina no músculo causa aumento de a7-integrina

Algumas proteínas estão aumentadas no músculo distrófico. É como se o músculo quisesse compensar a falta de distrofina com um aumento de outras proteínas, que não dão conta do recado. O músculo continua a degenerar. O que o grupo do doutor Burkin observou é que um aumento da a7-integrina parece compensar a ausência da distrofina e aparentemente evitar a degeneração muscular no camundongo mdx. De acordo com estudos anteriores, a laminina regula a expressão da a7-integrina. A ideia então era verificar se a administração de laminina-111 poderia aumentar ainda mais a expressão da a7-integrina.

Testaram primeiro em vitro

Os pesquisadores mostraram primeiro que a administração de laminina-111 aumentava a a7-integrina em células musculares humanas e de camundongos em cultura. O próximo passo era verificar o efeito de injeções de laminina-111 em camundongos mdx, o modelo murino da distrofia muscular de Duchenne.

Qual foi o efeito de injeções nos animais?

Após injetarem essa proteína no músculo de camundongos mdx, os cientistas verificaram que houve realmente aumento da a7-integrina, e aparentemente o músculo ficou protegido quando os animais foram submetidos a exercícios de stress.

De acordo com os autores esses resultados são muito animadores e podem ser efetivos no tratamento de várias formas de distrofias. Importante lembrar que o modelo de camundongo mdx é muito diferente do modelo humano. Os camundongos foram injetados antes do aparecimento dos sintomas e não sabemos quais seriam os resultados em fases mais adiantadas. Novas pesquisas serão fundamentais para tirarmos isso a limpo.

 

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/genetica