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Excelentes resultados de uma droga para a Distrofia Muscular de Duchenne

Por: Mark Henderson, Editor científico

Uma terapia para tratar o tipo mais grave de distrofia muscular tem alcançado resultados espetaculares em testes com animais, abrindo uma nova e poderosa abordagem para tratar pessoas com doenças degenerativas incuráveis.

A nova droga, que corrige parcialmente o erro genético que causa a Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), recuperou a níveis quase normais os movimentos e a função muscular de ratos com uma doença equivalente à DMD, prolongando significativamente o tempo de vida.

Caso resultados similares possam ser observados em testes clínicos com seres humanos, que devem iniciar dentro de um ano ou dois, a droga poderia revolucionar o tratamento de uma doença que provoca perda muscular progressiva e paralisia no início da infância, e geralmente causa a morte na adolescência ou ao redor dos 20 anos de idade.

Embora a terapia não cure a DMD, que quase sempre afeta meninos, ela tem o potencial de limitar substancialmente seus efeitos, tornando-a menos grave e com um prognóstico muito melhor.

A Dra. Dame Kay Davies, Professora de Anatomia da Universidade de Oxford, e que liderou a nova pesquisa, disse que os resultados foram muito animadores:

"Caso essas descobertas se repitam em seres humanos, elas detêm um enorme potencial para o tratamento de pacientes com DMD, afirmou ela. "Isso traz a perspectiva de que poderemos fazer uma enorme diferença."

A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é uma doença genética causada por uma mutação no gene da distrofina, uma proteína essencial ao tecido muscular. Ela afeta aproximadamente um em cada 3.500 meninos, e embora os sintomas possam ser administrados e aliviados, não existe ainda uma cura.

A DMD é geralmente fatal antes dos 30 anos de idade. Ela não afeta meninas, exceto em casos muito raros, pois o gene responsável pela doença localiza-se no cromossomo X, que meninas possuem duas cópias, ao passo que meninos apenas uma. Uma menina que herda a mutação, portanto, tem uma cópia funcional a mais do gene da distrofina, e não manifestará a doença, embora ela possa transmitir a DMD para seus filhos.

Várias terapias genéticas para corrigir a mutação da DMD estão atualmente em fase de testes clínicos. Uma delas, no entanto, é adequada apenas para cerca de 10% dos pacientes, enquanto a outra encontra dificuldades para alcançar os músculos.

A nova terapia, conhecida como PPMO (peptide-conjugated morpholino oligomer), promete melhorias em ambas as situações: deverá ser adequada para cerca de 60% dos pacientes com DMD, e alcançará os músculos de uma forma mais eficaz.

Ela faz com que as células musculares "saltem" uma parte específica da mutação do gene da distrofina, no momento da leitura do código para sintetizar a proteína. Como resultado, ao invés de sintetizar uma proteína inútil, o corpo pode produzir uma versão da distrofina menor, imperfeita, mas ainda funcional.

"O objetivo é converter a distrofia muscular de Duchenne em uma doença mais branda", disse Kay Dame.

A droga PPMO, produzida pela empresa AVI BioPharma, carrega também um marcador químico para que seja mais facilmente absorvida pelo tecido muscular, e alcance as células onde ela é necessária.

No estudo publicado na revista Molecular Therapy, o medicamento foi ministrado em ratos onde o gene da distrofina, e um outro gene importante, o da utrofina, haviam sido inativados. Estes animais desenvolvem uma doença semelhante à DMD, e apresentam a função muscular e os movimentos extremamente restritos.

Após o tratamento os ratos apresentaram uma melhora surpreendente, com a mobilidade quase normal, e viveram muito mais tempo do que o habitual.

"Normalmente a maioria desses ratos morrem em 10 semanas," disse Dame Kay.

"Já se passaram vários meses, e não perdemos nenhum. É um recuperação espetacular para uma distrofia muscular muito severa".

Uma outra droga semelhante, mas menos potente e que não conta com o marcador para facilitar o envio aos músculos já está na fase de testes clínicos, e os pesquisadores acham que poderão iniciar rapidamente os testes com a PPMO em seres humanos.

"O próximo teste clínico a nível sistêmico pode muito bem usar essa droga," disse Dame Kay.

"Eu imagino que dentro de um a dois anos este vetor de nova geração já possa ser utilizado. Dependerá muito das entidades reguladoras, e se cada agente será ou não tratado como uma nova droga. É um passo importante para demonstrar a eficiência dessas substancias."

Tradução : Marcelo D. P. de Oliveira. contato: trad.mdpo"arroba"gmail.com

Fonte: http://www.timesonline.co.uk/tol/news/science/medicine/article6882646.ece