Promissor novo tratamento para a Distrofia Muscular de Duchenne.
Nota: Esta tradução refere-se à mesma pesquisa noticiada aqui, datada de 28-10-2009.
Uma técnica chamada salto de exon (exon skipping) demonstra ter grande potencial para aumentar a força muscular e prolongar a vida de pessoas com uma forma grave de distrofia muscular de Duchenne (DMD).
De acordo com um estudo que contou com a participação do Dr. Stephen Wilton, pesquisador da Universidade da Austrália Ocidental, e patrocinado pela Associação Americana de Distrofia Muscular (MDA), o salto de exon aumenta a produção de uma proteína muscular essencial que não é produzida nas pessoas com DMD. Pela primeira vez esses resultados foram observados em ratos que portam uma forma especialmente grave de distrofia muscular, e o estudo foi publicado na revista “Molecular Therapy” em 20 de outubro.
"Esta descoberta traz esperanças animadoras quanto ao potencial do tratamento em ajudar portadores de Duchenne, doença que normalmente é mais grave do qua a que se manifesta no camundongo modelo padrão da DMD", disse Sharon Hesterlee, vice-presidente sênior do programa de filantropia da MDA.
As descobertas, que provam que os compostos para salto de exon podem funcionar mesmo nos camundongos com um tipo de distrofia extremamente progressiva, contribuem para aumentar o substancial interesse já demonstrado pelas companhias de biotecnologia, e da indústria farmacêutica, em desenvolver este tipo de composto para tratar crianças e jovens adultos com DMD.
(Veja a seção de Testes Clínicos do site da MDA na Internet para obter informações permanentemente atualizadas sobre este e sobre outros testes de drogas.)
Sobre o salto do exon
As regiões dos genes que trazem instruções para a produção de proteínas (como a distrofina) são conhecidas como "exons". Durante o processamento da informação genética dentro das células, os exons são colocados juntos, ao passo que outras informações (os "introns") são removidas. Em seguida, "o RNA mensageiro", que traz as instruções finais, é exportado para fora do núcleo da célula, quando então pode ser utilizado para sintetizar as moléculas de proteína.
Quando uma mutação no gene provoca a falta de pedaços de exons, a proteína que é produzida pode ser instável, ou não funcional.
O salto de exon altera a maneira com que as instruções do RNA mensageiro são lidas, para que apenas exons livres de erros participem da "receita final" da proteína. O objetivo é produzir uma proteína funcional, apesar da presença de falhas nas instruções genéticas.
Neste momento, a empresa de biotecnologia holandesa Prosensa, a empresa farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, e a empresa americana AVI BioPharma, estão desenvolvendo o salto do exon para restaurar a produção de distrofina na DMD. Dois compostos para salto de exon, um desenvolvido pela Prosensa, e o outro pela AVI BioPharma, já passaram nos testes de segurança feitos em meninos com DMD, e agora estão sendo submetidos a novos testes clínicos.
A Associação Americana de Distrofia Muscular (MDA) financiou grande parte do desenvolvimento científico básico que fundamenta esta estratégia de tratamento, e continua a apoiar Wilton, e outros, para que consigam otimizá-la.
Sobre a DMD
A DMD é uma doença muscular degenerativa causada por uma dentre várias mutações no gene do cromossomo X, que carrega as instruções para produzir uma proteína muscular chamada distrofina. Sem a distrofina, as fibras musculares tornam-se anormalmente frágeis, e partem-se sob o esforço das contrações. A degeneração muscular afeta todos os músculos esqueléticos, incluindo aqueles que controlam a respiração e o coração.
É um fato praticamente invariável que por volta da adolescência desenvolva-se uma deficiência significativa, bem como ocorrer a morte por insuficiência respiratória ou cardíaca por volta da idade adulta.
Da mesma forma com que ocorre em outras doenças ligadas ao cromossomo X, a DMD afeta quase que exclusivamente meninos, embora às vezes pessoas do sexo feminino possam também desenvolver os sintomas da doença.
Sobre estas descobertas
O aspecto ímpar dos resultados de hoje, quando comparados aos estudos anteriores sobre salto de exon em ratos, é que os ratos tratados agora não produziam nem distrofina nem outra proteína, a utrofina, tornando a doença mais grave e muito mais parecida com DMD dos seres humanos do que a doença que se manifesta nos ratos testados anteriormente, e que não produziam apenas distrofina.
A DMD nos seres humanos apenas não produz distrofina, mas por razões desconhecidas ela é mais grave do que a doença dos ratos, onde falta também apenas a distrofina .
O autores do estudo dizem: "Relatamos aqui a ocorrência de uma notável redução dos sintomas da distrofia, e a melhora da função muscular de camundongos deficientes em distrofina e em utrofina, gravemente afetados pela doença”.
Eles dizem também que os compostos que usaram para o salto de exon, conhecidos como PPMO, exibem efeitos terapêuticos não apenas em camundongos com uma DMD relativamente benigna (deficientes apenas em distrofina), mas também nos animais muito graves, com deficiência em distrofina e em utrofina, sugerindo que esses compostos possuem um grande potencial para o tratamento sistêmico da DMD.
Os pesquisadores lembram que por razões técnicas ministraram o composto PPMO por meio de injeções no abdome dos ratos, mas suspeitam que a administração intravenosa possa ser ainda mais eficaz.
Tradução : Marcelo D. P. de Oliveira. contato: trad.mdpo"arroba"gmail.com
Fonte: http://www.medicalnewstoday.com/articles/168428.php
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